O Alerta da ArcelorMittal e o Cenário das Importações de Aço no Brasil

O mercado siderúrgico brasileiro vive um momento de transição e alerta. Durante o Congresso Aço Brasil 2026, Everton Negresiolo, vice-presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de Aços Longos Latam, destacou que, apesar dos avanços governamentais recentes no combate às importações predatórias, as medidas de defesa comercial ainda precisam de maior agilidade e continuidade.

O Cenário das Importações: Avanços e Preocupações

As políticas de cotas, elevação tarifária e medidas antidumping implementadas começaram a surtir efeito. A projeção do Instituto Aço Brasil indica que as importações de aços laminados devem fechar 2026 com uma queda de 15,1%, totalizando 4,9 milhões de toneladas.

No entanto, o volume absoluto ainda é um desafio:

O total importado continua 121% maior que a média anual registrada entre 2000 e 2019 (2,2 milhões de toneladas).

As importações indiretas (aço contido em veículos, máquinas e equipamentos que entram no país) dispararam e têm previsão de crescimento de 19,9% em 2026, alcançando 7,2 milhões de toneladas.

Negresiolo aponta que a transformação geopolítica global, com a redução do multilateralismo, exige que o Brasil defina o setor siderúrgico como política de Estado de longo prazo, garantindo a sustentabilidade da indústria frente à falta de isonomia do aço subsidiado.

Investimentos Bilionários em Jogo

A continuidade das proteções comerciais é o fiel da balança para os robustos planos de investimento da ArcelorMittal no país:

Espírito Santo: R$ 4 a R$ 5 bilhões destinados à unidade de Tubarão para um novo laminador a frio e linha de revestimento contínuo.

Ceará: Estudos avançados para um aporte de cerca de R$ 5 bilhões na usina de Pecém.

Minas Gerais: Conclusão recente de aportes na usina em Sabará, no complexo fotovoltaico em Paracatu e na nova planta de beneficiamento de minério em Itatiaiuçu (com produção 100% destinada à exportação cativa para o México, blindando a operação das pressões de frete marítimo).

O Que Isso Significa para a Sua Indústria?

A instabilidade gerada pelo volume de aço importado e as mudanças nas tarifas de defesa comercial impactam diretamente a previsibilidade de preços e o abastecimento de matéria-prima no mercado interno. Em cenários de transformação geopolítica e readequação de cadeias produtivas, garantir parcerias sólidas de fornecimento é estratégico.

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Fonte: Diário do Comércio – ArcelorMittal pede continuidade e agilidade em medidas de defesa comercial contra o aço importado.

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