Aço brasileiro em alerta: produção recua e avanço chinês pressiona o setor

A indústria siderúrgica brasileira enfrentou um mês de agosto desafiador, pressionada pelo recuo na produção interna e pela forte presença da China no mercado global. Dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil mostram um cenário de cautela nas fábricas e pessimismo prolongado entre os executivos do setor.

O panorama de agosto

  • Produção de aço bruto: 2,7 milhões de toneladas (queda de 4,0% em relação a julho).
  • Importações: 395 mil toneladas (alta de 3,2%).
  • Exportações: 959 mil toneladas (retração de 5,3%).
  • Vendas internas: 1,9 milhão de toneladas (leve avanço de 0,2%).
  • Consumo aparente: 2,2 milhões de toneladas (alta de 0,3%).

Acumulado do ano (Janeiro a Agosto)

No balanço dos primeiros oito meses do ano, o consumo e a produção total seguem no vermelho:

  • Produção acumulada: 21,8 milhões de toneladas (queda de 1,8% vs. mesmo período do ano anterior).
  • Consumo aparente nacional: 17,4 milhões de toneladas (retração de 4,2%).
  • Exportações: 7,3 milhões de toneladas (alta de 3,7%).
  • Importações: 3,7 milhões de toneladas (queda de 20,2%).
  • Vendas internas: 14,2 milhões de toneladas (estabilidade com +0,3%).

A expansão chinesa e a retração na confiança

O principal fator de pressão continua sendo o avanço da China, responsável por cerca de 52% da produção mundial de aço (somente em julho, o país asiático produziu 76,9 milhões de toneladas). Esse volume massivo tem ocupado mercados antes dominados por outros produtores e reduzido a competitividade global de países como o Brasil.

Como reflexo direto desse ambiente de incerteza, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) fechou setembro de 2026 em 42,1 pontos  o quarto mês consecutivo de queda. Valores abaixo de 50 pontos sinalizam falta de confiança por parte dos CEOs do setor.

O impacto da concorrência asiática será o tema central do Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro, que contará com o painel “China – a Grande Ameaça” para discutir os rumos da indústria nacional frente ao comércio global.

Fonte: Instituto Aço Brasil e Siderurgia Brasil

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