A indústria brasileira de aço acabou de ganhar um importante incentivo para encarar a concorrência global e retomar o ritmo de crescimento. Durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin apresentou um conjunto de medidas focado em fortalecer a siderurgia nacional, ampliar a proteção comercial e estimular os investimentos industriais no país.
Se você acompanha o mercado industrial, a economia ou a construção civil, entenda a seguir quais são os principais pontos do pacote e o impacto que ele traz.
Por que o setor precisava desse incentivo?
Apesar de sua importância estratégica, a siderurgia no Brasil atravessa um momento delicado. Segundo o Instituto Aço Brasil:
Produção em queda: A produção de aço bruto atingiu 21,8 milhões de toneladas (janeiro a agosto de 2026), representando uma redução de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Capacidade ociosa: Atualmente, as usinas brasileiras operam utilizando apenas entre 60% e 65% de sua capacidade instalada.
Pressão internacional: O mercado global sofre com o excesso de capacidade produtiva e concorrência acirrada de produtos importados de países como China, Índia, Coreia do Sul, Alemanha e Vietnã.
Barreiras contra a concorrência de aço importado
Para conter a entrada maciça de produtos estrangeiros no mercado interno, o governo adotou mecanismos rígidos de defesa comercial:
Elevação de Tarifas: A alíquota de importação subiu para 25% para produtos categorizados em 39 NCMs.
Ações Antidumping: Atualmente, o país mantém 17 medidas antidumping ativas.
Os resultados já começaram a aparecer: entre janeiro e julho de 2026, o volume de importações de aço caiu 15%, e a presença do produto importado no mercado brasileiro despencou de 22,9% para 12,7%.
Crédito de R$ 22 bilhões e incentivo à sustentabilidade
Além das barreiras tarifárias, o foco está na competitividade e no acesso a capital:
Linha Brasil Soberano 3: O programa vai liberar R$ 22 bilhões em financiamento para empresas afetadas pelas oscilações do comércio internacional.
Taxas a partir de 6% ao ano para investimentos e modernização de máquinas.
Taxas de 12% ao ano para composição de capital de giro.
Incentivo à Reciclagem: Apoio a propostas para estimular o uso de sucata e reciclagem, fortalecendo a economia circular na cadeia do aço.
Programa ProAço: Está em estudo a criação de um programa exclusivo voltado ao fortalecimento contínuo e à modernização da indústria siderúrgica.
Efeito dominó: Aceleração da Indústria Automotiva e Reforma Tributária
O fortalecimento do aço anda de mãos dadas com o setor automotivo, um dos maiores consumidores do insumo. A produção de veículos subiu de 1,6 milhão para quase 3 milhões de unidades, e a partir de janeiro de 2027 haverá uma taxa de 35% sobre a importação de veículos.
Para somar a esse cenário, a transição para o novo sistema tributário (IVA Dual – IBS e CBS) a partir de 2027 promete reduzir a cumulatividade de impostos, melhorar a atratividade de investimentos e impulsionar as exportações.
O que esperar do futuro?
O desafio agora é fazer com que essas iniciativas se desdobrem em aumento na ocupação das usinas, ganho de competitividade e estímulo à demanda interna. Com mais proteção, financiamento e um ambiente tributário mais simples, o setor industrial ganha fôlego para crescer.
💬 E você, o que achou das novas medidas para o setor siderúrgico? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este post com quem precisa ficar por dentro das novidades da indústria!
Fonte: Cidades & Minerais
