O encerramento da 36ª edição do Congresso Aço Brasil, realizado em São Paulo, trouxe à tona um alerta crítico para a cadeia metalmecânica: o crescimento expressivo das importações de “aço contido” ou embutido. Esse fenômeno ocorre quando o aço entra no país já incorporado em produtos industrializados estrangeiros, como automóveis, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos prontos para consumo.
Esse cenário impõe um desafio duplo para a indústria siderúrgica brasileira, que conta atualmente com 31 fábricas e gera 116 mil empregos diretos. As usinas nacionais passam a concorrer não apenas com o aço importado diretamente, mas também com manufaturados estrangeiros que substituem a produção local em diversas etapas da cadeia produtiva.
A pressão externa e a defesa comercial
De acordo com Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, o setor enfrenta uma mudança na forma de pressão externa. Diante de um cenário global de excesso de capacidade produtiva, países como Estados Unidos e membros da União Europeia têm adotado medidas rigorosas para proteger seus mercados.
Apesar de o governo brasileiro ter fortalecido os instrumentos de defesa comercial recentemente, os volumes de importação continuam elevados. A projeção é que o Brasil feche 2026 com cerca de 4,9 milhões de toneladas de laminados importados, um volume que representa mais que o dobro da média histórica de 2,2 milhões de toneladas.
O Instituto Aço Brasil ressalta que a defesa comercial não significa fechar o mercado, mas sim garantir condições justas de competição e acelerar processos antidumping para corrigir distorções. A retomada da produção nacional tem o potencial de gerar até 20 mil novos empregos diretos no país.
Agenda de longo prazo e competitividade
Para enfrentar a concorrência asiática, especialmente da China, e fortalecer o parque industrial brasileiro, o setor defende a criação de uma agenda estratégica de longo prazo. André B. Gerdau Johannpeter, presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, reforçou durante o evento que o Brasil possui plenas condições de competir globalmente, apoiado em vantagens competitivas estruturais:
- Minério de ferro de alta qualidade;
- Ampla disponibilidade de sucata;
- Matriz energética renovável e recursos hídricos abundantes;
- Um mercado interno robusto, com cerca de 218 milhões de consumidores.
A superação desse cenário exige um esforço conjunto entre as lideranças do setor privado e o governo para estruturar políticas que valorizem a produção nacional, garantindo a sobrevivência e o fortalecimento da indústria siderúrgica no longo prazo.
Fonte: Comex do Brasil, com informações do Instituto Aço Brasil (02/10/2026).
