Mercado do Aço no Brasil: O que esperar após a perda de fôlego nos preços?

Se você esperava um rali de alta nos preços do aço para as próximas semanas, é hora de recalibrar a rota. Os dados da rodada de junho de 2026 da pesquisa Monthly Market Sentiment Survey, realizada pela Platts (S&P Global), acenderam um sinal amarelo no mercado brasileiro.

O otimismo em relação ao aumento dos preços do aço acabado recuou significativamente, refletindo um cenário econômico doméstico mais desafiador e uma demanda que ainda ensaia uma reação robusta.

Os 3 Insights Estratégicos do Mês

1. Queima de pátio em andamento

O dado mais curioso mostra que, enquanto as usinas pretendem manter a produção acelerada, a expectativa para o nível de estoques caiu para a zona de contração (46,82 pontos). Atualmente, 52% dos entrevistados operam com estoques acima de 50 dias. A queda no índice sugere que o mercado está focado em girar o que já tem em pátio antes de fazer novas grandes apostas.

2. O “freio de mão” da economia e o recuo do importado

A percepção de uma piora no cenário macroeconômico brasileiro pesou no humor dos players. Com a demanda interna ainda fraca e os preços nacionais já em patamares elevados, traders preveem que o volume de aço importado deve despencar mês a mês até o final do ano.

3. Protecionismo e altas graduais

Se por um lado a demanda patina, por outro, as medidas anti-dumping servem como um escudo para as usinas locais. A expectativa de distribuidores é que os preços continuem subindo, mas de forma gradual, sem solavancos ou grandes reajustes pontuais.

Como Estão os Preços Praticados?

A Platts manteve os preços de balcão estáveis na última leitura de junho:

  • Vergalhão Doméstico (Rebar): Estável em R$ 3.672,50/t (amplitude de mercado entre R$ 3.440 e R$ 3.905/t, ex-works, sem impostos e frete).
  • Bobina a Quente (HRC): Estável em R$ 4.025/t (amplitude entre R$ 3.950 e R$ 4.100/t).

O Olhar da Bubuyog

O cenário exige gestão inteligente de compras e inteligência de mercado. Com a produção em alta e estoques em ajuste, o momento não é de desespero por desabastecimento, mas sim de negociação cirúrgica. As altas espetaculares perderam força, abrindo espaço para um mercado de maior previsibilidade — ainda que pressionado pelo macroambiente.

Como a sua operação está se preparando para o segundo semestre com base nesses estoques?

Fonte: S&P Global Energy, uma divisão da S&P Global Inc. Todos os direitos reservados.

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