O setor de siderurgia e mineração do Brasil fechou o mês de abril com números que chamam a atenção do mercado. O grande destaque ficou por conta das exportações de aço, que atingiram a marca de 1 milhão de toneladas — um salto impressionante de 62,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o país exportou 647 mil toneladas.
Se olharmos para o mês imediatamente anterior (março), o crescimento é ainda mais agressivo: 81,9% de aumento. Os dados foram divulgados pelo Instituto Aço Brasil e mostram que o produto nacional ganhou forte tração no mercado externo.
O Raio-X do Mercado em Abril
Enquanto o mercado externo acelerou, o cenário interno e a produção apresentaram um ritmo mais cadenciado. Veja os principais indicadores do mês:
- Produção Nacional: Atingiu 2,7 milhões de toneladas em abril, uma leve alta de 1,1% na comparação anual, mas com recuo de 3,8% frente a março.
- Vendas Internas: Somaram 1,8 milhão de toneladas, crescendo 7,1% em relação a abril do ano anterior (embora tenham recuado 5,8% contra março).
- Importações em Queda: O Brasil importou menos aço. Foram 363 mil toneladas em abril, uma retração significativa de 33,3% na comparação anual e de 40,3% em relação a março.
O Balanço do Primeiro Quadrimestre
No acumulado de janeiro a abril, a produção de aço bruto registrou uma leve oscilação negativa de 2,9% (10,7 milhões de toneladas). Em contrapartida, as exportações do quadrimestre subiram 23,3% e as importações recuaram 5%.
Confiança em Alta, mas com Cautela no Horizonte
O otimismo do setor também se refletiu no Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de maio, que subiu 8,2 pontos, alcançando 59,9 pontos — o maior patamar registrado desde outubro de 2024.
Apesar do avanço numérico, o momento exige um olhar atento. Segundo Marcelo de Ávila, superintendente de economia do Instituto Aço Brasil, embora todos os componentes do índice tenham melhorado, os indicadores que medem a percepção da situação atual e as perspectivas para a economia brasileira ainda seguem abaixo dos 50 pontos.
“Isso indica que, apesar da melhora nos resultados operacionais e das exportações aquecidas, ainda existe uma falta de confiança generalizada no ambiente macroeconômico”, pontua o executivo.
O cenário mostra um setor resiliente lá fora, mas que ainda calibra suas expectativas para consolidar uma retomada firme dentro de casa.
Fonte: Valor Econômico
